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cultura do sabugueiro

 

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PROPRIEDADES E APLICAÇÕES

VIRTUDES MEDICINAIS

O sabugueiro é desde a antiguidade definido como o guardião da saúde. Ao que me é dado a conhecer, o primeiro registo do uso desta planta no meio medicinal aparece nos escritos de Hipócrates, já lá vão 2500 anos.

Ao percorrermos os meios rurais é muito natural para as gentes simples considerarem o sabugueiro como uma autêntica “botica viva”. Isto deve-se ao facto de quase todas as partes desta árvore/arbusto serem indicadas para múltiplos usos. Um pouco por todo o lado esta arvore/arbusto é extremamente querida e considerada, quer por características medicinais ou mesmo lendárias. Posso a título de exemplo dizer o seguinte:

Os espanhóis, mais propriamente os catalães chama-lhe "árvore boa";

Os Açoreanos puseram-lhe o nome de "chá do bem fazer" à infusão que se faz com a flor seca do sabugueiro.

Os antigos achavam que dentro de cada sabugueiro morava uma curandeira que tinha sido morta na inquisição de forma injusta.

As diversas partes utilizadas são

As flores;

As folhas;

Os frutos maduros;

A segunda casca seca, excluindo-se a raiz;

O miolo.

As flores de sabugueiro têm de ser secas. Por superstição, para que as flores tenham efeito medicinal têm que ser colhidas na véspera ou no dia de São João, a fim de estarem abençoadas pelo Santo.

As flores contêm glúcidos, ácidos orgânicos, glucósidos, flavonóides, aminas, vitamina C, etc. As flores têm também taninos o que lhes conferem propriedades diaforéticas, isto é estimulam a sudação, sendo indicadas para combater estados febris. O efeito diaforético parece restringido apenas às flores e não a outras partes da planta. Quando se emprega a  infusão concentrada de flores emprega-se sob a forma de gargarismo, isto no caso de afecções de boca e faringe. Para as inflamações e tumefacções utiliza-se em forma de compressas.

Não existe nada mais maravilhoso que um banho de imersão com flores de sabugueiro.

Quanto à baga do sabugueiro ela contem flavonóides (rutina e isoquercitina), ácidos orgânicos, pigmentos antocianicos, açúcares redutores, isto para além de pectina, taninos e vitaminas A, e C assim como elementos minerais. Quanto ao extracto da baga, ele tem propriedades laxativas. O sumo é um óptimo remédio contra as enxaquecas e as dores nervosas.

Composição Química Das Bagas De Sabugueiro

(g/ 100 9 de matéria fresca)

Humidade          80,96-82,16

Proteína              11,94-2,05

Gordura              0,08-0,09

Glicose                3,10-3,95

Frutose                2,41-2,75

Sacarose              0,07-0,17

Fibras                 6,31-7,01

Acido cítrico        0,05-0,08

Ácido málico       0,12-0,20

Cinzas                 0,86-0,87

Conteúdo Em Vitamina C Assim Como Em Elementos Minerais Das Bagas De Sabugueiro

(mg/ 100 9 de matéria fresca)

Vitamina            C 21,5-27.0

Sódio                   7.4-9,6

Potássio               10,6-394,1

Cálcio                 23,4-25.7

Magnésio            26,6-29,2

Ferro                   1,5-1,6

Zinco                   0,3

Manganésio        0,2

Acreditando no que Burmistrov afirma em 1994, as bagas de sabugueiro têm uma elevada quantidade de polifenóis. Segundo o diz, a quantidade de polifenóis totais pode atingir os 2960 mg/100 g, sendo a maior parte destes antocianinas, cerca de 2400 mg/100 g.

A baga do sabugueiro é ainda uma rica fonte de corantes naturais. Estes são vulgarmente utilizadas para corar alimentos e vinhos. Os corantes aque me refiro são as antocianinas, um grupo de pigmentos hidrossolúveis existentes nas plantas, sendo estes os responsáveis pela coloração vermelha, azul e púrpura de muitos dos frutos e vegetais.

Estas antocianinas têm excelentes e particulares propriedades terapêuticas pois são elas que estimulam o sistema imonulógico humano, aumentando da produção dos linfócitos. Estas células sanguíneas são as que têm com função combater os agentes patogénicos. Elas têm também uma importante acção na manutenção das paredes das pequenas artérias, contribuindo assim para a redução de problemas circulatórios.

A segunda casca, que é aquela que fica depois de se raspar a parte externa das varas, é purgante e diurética. Devido ao seu grande valor diurético é particularmente indicada nos casos em que é necessário eliminar a água em excesso no organismo, como no reumatismo.

As folhas são utilizadas ou em fresco, ou secas. Depois de secas podem-se utilizar na preparação de um unguento: "Unguentum Sambuci Viride". Este era ou foi muitas vezes utilizado como remédio doméstico para tratar escoriações, entorses, frieiras, assim como para cicatrizar cortes.

Da mesma forma como a casca, também as folhas são purgantes, pois também lhes é igualmente atribuída quer a acção espectorante, diurética e diaforética. Devido à sua forte acção repelente, a infusão das folhas de sabugueiro pode também ser utilizada para evitar picadas de mosquitos e de outros insectos.

A "tintura mãe", obtida da flor do sabugueiro em laboratórios especializados, é o ponto de partida para a preparação de muitos medicamentos. As flores, frutos e casca também são utilizados para preparação de drogas medicinais.

 

O MELHOR PROTAGONISTA NO COMBATE À GRIPE

A gripe é uma doença infecciosa provocada por o vírus denominado influenza. Assim o denominaram os astrólogos da Antiguidade, que atribuíam as suas epidemias devido à influência das estrelas. Os principais sintomas desta doença são vários, sendo os mais comuns a tosse, a perda de apetite, as dores musculares, a cefaleia, o mal-estar, a fadiga,etc.

Também a temperatura corporal pode aumentar alguns graus, mas a febre é muito mais comum entre os jovens e crianças pequenas. Se a maioria dos sintomas desaparecem normalmente ao fim de alguns dias, a fadiga pode persistir ao longo de algumas semanas

Apesar de existirem mais de 150 viroses capazes de causar resfriados, há sobretudo 3 agentes infecciosos levam à gripe, e eles são: o vírus influenza A, muito mais comum, e os influenza B e C, estes bem mais raros. A maior ou principal dificuldade no combate a estes vírus está na sua grande capacidade de mutação, o que afecta a eficácia dos tratamentos preventivos, mesmo no que diz respeito às vacinas, daí que tenham de ser alteradas anualmente.

Apesar de haver um grande número de produtos disponíveis no mercado farmacêutico, que normalmente são utilizados pela medicina convencional para o combate à gripe, não há nenhum fármaco capaz de evitar ou reduzir o tempo de manifestação dos sintomas da doença, e muitos pouco aliviam esses sintomas. Ao contrário desses inúmeros medicamentos, geralmente ineficazes e que facilmente produzem efeitos secundários indesejáveis, a utilização de produtos feitos à base de algumas plantas medicinais, têm demonstrado ser uma eficaz forma de combater os sintomas da gripe. Essa virtude manifesta-se reduzindo inclusive o tempo da sua manifestação, com a enorme vantagem de não apresentarem quaisquer efeitos secundários.

Alguns estudos recentes e são disso exemplo os estudos ledos a cabo por Zakay-Rones em 1995 e Serkedjieva, em 1996, sobre o uso terapêutico da algumas plantas medicinais, têm comprovado o seu elevado potencial no combate de algumas infecções das vias respiratórias, com a gripe, neutralizando a actividade dos agentes causadores da doença, que são os vírus.

Esses estudos revelaram que o sabugueiro é uma das espécies medicinais mais activas contra os vírus influenza. Estas investigações vêm assim confirmar aquilo que a sabedoria popular há muito dizia. Há muito se dava crédito que a utilização das bagas do sabugueiro eram um óptimo remédio para combater a gripe, e curar os estados febris.

 

UM EXEMPLO DE TESTE

“Testes laboratoriais realizados por investigadores da Universidade israelita de Haddassah verificou-se que o extracto de sabugueiro inibe ambas as variantes A e E do vírus influenza. Num ensaio clínico realizado em 1993 pelos mesmos investigadores, 27 indivíduos habitantes de uma comunidade agrícola israelita (kibbutz), recentemente infectados com o vírus influenza e, foram separadas em 2 grupos, em que o primeiro grupo recebeu tratamento com extracto de baga de sabugueiro, e o segundo recebeu um placebo.

Entre o grupo de doentes tratados com sabugueiro 93,3 % teve francas melhoras (redução da manifestação dos principais sintomas, incluindo a febre) passados 2 dias, ao contrário do grupo tratado com placebo, onde 91,7 % dos pacientes apenas revelou tais melhoras ao fim de 6 dias. A completa recuperação, de perto de 90 % no primeiro grupo deu-se entre 2 e 3 dias, contrariamente aos doentes do grupo controlo, que só recuperaram por completo ao fim de 6 dias.

Os autores deste estudo concluíram que, não existindo medicação que cure eficazmente os doentes infectados com o vírus influenza A e E, tendo em consideração a eficácia do extracto utilizado em todas as estirpes testadas, os resultados obtidos no ensaio clínico, o seu baixo custo, e a ausência de efeitos secundários, esta preparação pode ser uma nova possibilidade para o tratamento da gripe “

A actividade anti-viral do extracto estudado, estará relacionada com a presença de flavonóides. Os flavonóides são substâncias que ocorrem naturalmente nas plantas, presentes em grandes quantidades nas bagas do sabugueiro, e que têm revelado resultados bastante positivos contra vários vírus, inclusive o vírus influenza. Para melhor confirmar esta teoria, não há dúvidas que deverão ser desenvolvidos e continuados mais estudos sobre esta matéria, envolvendo pois, um maior número de pacientes.

A incontrolável das epidemias de gripe, e a relativa ineficácia dos fármacos convencionais, fazem com que os estudos como o da Universidade de Haddassah lance um novo e mais profundo olhar sobre o sabugueiro.

Isto fez com que houvesse uma subida em flecha das vendas de produtos à base de sabugueiro, podendo já encontrar-se sob a forma de extractos líquidos, tinturas, pastilhas para a tosse, xaropes, cápsulas e sprays para a garganta.

A regulamentação sobre a venda de produtos à base de sabugueiro, é bastante variável de país para país, apesar de na maior parte dos casos serem considerados como produtos sem qualquer riscos para a saúde. Há no entanto que ter em conta o manuseamento dos mesmos pois se eles não forem devidamente colhidos, secos ou acondicionados os risco pode ser, ou melhor é elevado. Para lá da ciência o comprovar a sabedoria popular também o sabe, pois um dos elementos de risco é a componente dos glucósidos cianogénicos que o sabugueiro também produz. Se estes vários elementos forem tidos em conta no momento e no timing da apanha e ou secagem eles desaparecem por completo.

 

OUTRAS APLICAÇÕES

O sabugueiro é hoje em dia uma espécie de grande importância para a indústria, nomeadamente para a indústria farmacêutica, agro-a1imentar, têxtil e cosmética. De seguida, para além das aplicações industriais, apresentam-se igualmente outras aplicações, de âmbito caseiro.

O sumo das bagas de sabugueiro é explorado industrialmente em vários países europeus como a Alemanha, a França e a Dinamarca. Grande parte da nossa produção portuguesa é anualmente exportada para esses países onde segue esta e outras transformações.

Sabemos que os frutos do sabugueiro são utilizados para a coloração de alguns vinhos Segundo algumas opiniões esta adição não altera as características do vinho, e da-lhe uma cor e consistência aveludada, porventura até aumenta a sua qualidade. No entanto, esta atitude é muitas vezes utilizada menos escrupulosamente por pessoas que, fazendo-se valer das suas qualidades corantes, os utilizam para fazer o chamado "vinho a martelo"  Quantos vinhos em países nórdicos por exemplo não são feitos com a baga que importam do nosso país.

As flores são muito utilizadas para preparar refrescos caseiros e chás. Utilizam-se por exemplo para aromatizar vermutes e licores. Em Itália, é feito assim um licor conhecido por "Sambuca".

As flores são também utilizadas para aromatizar vinagres, marmeladas e mel.

Relativamente ao uso culinário, com os frutos maduros preparam-se marmeladas. Também podem ser utilizados na confecção de pastéis, tortas e xaropes. Dada a riqueza dos frutos em vitaminas A e C, esta é certamente uma excelente forma de as incluir na dieta alimentar.

O sabugueiro também tem lugar na cosmética. Fazendo ferver os frutos com vinho ou vinagre, aplicando como uma loção, faz escurecer os cabelos. A cozedura das folhas pode ser utilizada para muitos fins e para muitos tratamentos de problemas cutâneos e oftalmológicos.

Actualmente, as flores e as bagas são também utilizadas em perfumaria.

Os frutos do sabugueiro são excelente matéria-prima para a produção de corantes alimentares naturais. De facto, os produtos extraídos da baga do sabugueiro são frequentemente utilizados como corantes, quer pela indústria têxtil, quer pela indústria alimentar. Em Portugal, por exemplo, esses produtos são, ou foram, também vulgarmente utilizados para carimbar carne em centros de abate, como garantia da realização da inspecção.

O mercado de substâncias aditivas naturais está em pleno crescimento. São cada vez mais os produtos agro-industriais que contêm na sua composição aditivos extraídos do sabugueiro, pelo que este parece ser um mercado altamente prometedor para garantir o futuro desta cultura.

Os jardineiros, muitas vezes, utilizam a cozedura das folhas do sabugueiro, para proteger as plantas mais susceptíveis ao ataque dos pulgões e das lagartas.

A madeira das árvores mais velhas é branca, fácil de cortar e de polir, pelo que se destina a múltiplos usos. É porém, difícil de secar. É utilizada para executar ferramentas agrícolas, pequenos trabalhos em tornearia e instrumentos musicais como flautas, a partir dos ramos ocos. A medula dos ramos jovens, relativamente mole e muito leve, tem grande interesse científico, pois é utilizada em experiências de física electrostática e para auxiliar a execução de cortes histológicos.

Esta espécie possui algumas cultivares de elevado valor ornamental. Destacam-se as S. n. albo-variegata, S. no aurea com folhagem amarelada, e S. n. aureo-variegata.

São também reconhecidas como cultivares ornamentais as S. n. lacinata, S. n. madonna, e S. n. purpurea, esta última a folhagem é originalmente verde, mas ela adquire um tom púrpura no Outono, durante a época da queda da folha.

    São muitas e diversas as aplicações e são tão valiosas as propriedades desta planta, que certamente mais estudos, no sentido de melhor a conhecer e aperfeiçoar o seu cultivo, são de extrema importância.